Friday, December 07, 2012

Cão Sabidão, às vezes…

Fruto da sua traquinice Sabidão deu uma valente torcedela no pescoço e andava de abat jour. Uma vergonha para um cão de raça, coisa que – vá-se lá saber porquê? – não acontece a rafeiro. 

Lá ia ele, de trela longa, passeio fora cheirando pedras e cantos, com a amplitude visual limitada, é certo, mal orientando o capacete de plástico preso na pescoceira.

Tac… Tac… Tac… e TRÁS!, contra um poste que sinalizava prioridade a deficientes:
Porra! Quem é que pôs aqui o poste?

Tac… Tac… Tac… e TRÁS!, contra um sinal de trânsito:
Porra! Quem é que pôs aqui o poste?

Tac… Tac… Tac… e TRÁS!, contra um poste de iluminação pública:
Porra! Quem é que pôs aqui o poste?


























Tac… Tac… Tac… e TRÁS!, contra as pernas de uma senhora, foguete nas meias, pedido de desculpas:
Porra! Quem é que pôs aqui o poste?

Tac… Tac… Tac… e TRÁS!, contra uma coluna de um prédio:
Porra! Quem é que pôs aqui o poste?
A dona: “Não te excites!

Tac… Tac… Tac… e TRÁS!...


(1. A propósito: «Pipocas O Cão Sabidão», revista O Falcão, n.º 15, 1959/03/26; 2. Nota: composição com recurso a imagens disponíveis na Web.)

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